Opinião/review - Tudo, Tudo e Nós de Nicola Yoon - Editorial Presença

Boa Tarde Novelitos!

Finalmente estou de volta com uma nova opinião!



Sinopse

Madeline Whittier observa o mundo pela janela. Tem uma doença rara que a impede de sair de casa. Apesar disso, Maddy leva uma vida tranquila na companhia da mãe e da sua enfermeira - até ao dia em que Olly, um rapaz vestido de preto, se muda para a casa ao lado e os seus olhares se cruzam pela primeira vez. 

De repente, torna-se impossível para Maddy voltar à velha rotina e ignorar o fascínio do exterior - mesmo que isso ponha a sua vida em risco. 

Nicola Yoon escreveu um livro comovente com uma mensagem para leitores de todas as idades. Tudo, Tudo... e Nós foi considerado um dos melhores livros do ano pela Amazon, B%N Teen BLog, Hudson Booksellers, The Miami Herald e School Library Journal.

Opinião

Terminei este livro durante o último trimestre do ano passado e para grande surpresa tornou-se num dos títulos a recomendar até ao fim da minha vida.
Para começar, gostaria de dar os parabéns à Editorial Presença por esta maravilhosa capa que numa primeira abordagem poderá parecer meramente decorativa, mas que à medida que vamos lendo vai adquirindo algum significado para o leitor, isto é, a própria capa acaba por ser uma pequena ilustração/resumo ilustrado do que poderá ser encontrado no interior do livro. Atrevo-me até a dizer que existe uma apresentação minimalista de pequenos detalhes que poderiam passar despercebidos não fosse a sua constante ligação com a narrativa.
Madeline Winter vive isolada do mundo, dentro de uma casa que se tornou numa espécie de redoma que a escuda do mundo e dos perigos a que poderia estar sujeita caso estivesse no exterior. Devo dizer que foi uma personagem que me surpreendeu bastante, apesar de achar que poderia ter sido mais assertiva. Ao longo da narrativa é-nos apresentada uma rapariga que apesar do isolamento sempre procurou tornar-se parte de um mundo que não podia ser seu, criando empatia com as personagens mais improváveis talvez por mera necessidade de se desafiar, de contrariar o seu corpo e de fazer a mãe ver que não faria mal quebrar um bocadinho o cristal que a envolvia. A rotina começa a tornar-se impossível de suportar, principalmente porque a sua mãe não a permite fugir daquilo que traçou para ela e para a vida que ambas têm de partilhar dentro daquela casa.
Olly, como seria de esperar, torna-se no pólo oposto da protagonista, no desafio que ela tanto ansiou e nunca teve a oportunidade de travar até ao dia em que os seus olhares se cruzam e ela o deixa entrar na sua vida. Devo confessar que inicialmente não consegui criar uma empatia com este personagem, principalmente porque tinha o típico discurso de "bad emo boy" que se encontra nas nossas secundárias, isto é, criava-me uma certa sensação de que não estava a ser verdadeiro, que faltava algo para que eu conseguisse acreditar que toda esta parafernália de acontecimentos fazia sentido e poderia, se tudo corresse bem, ter um final feliz. Contrariamente a Madeline, Olly não tem uma vida tão despreocupada, o que faz com que o espelhar de uma sociedade violenta e de ruptura familiar adquira um papel muito importante nas lições a retirar durante a leitura deste livro.
A relação entre ambos vai fluindo como qualquer relação à distância de um clique, entre mensagens e emails que nos vão sendo mostrados ao longo da narrativa. Creio que este pequeno pormenor aproxima o livro da sociedade em que, hoje em dia, estamos inseridos ainda que não se possa dizer que os namoros à distância poderão sem comparados a uma relação que tem como impedimento a possível morte de um dos intervenientes por culpa da sua saúde fragilizada.
Existe uma constante necessidade de facilitar a relação, de ver o outro feliz e um certo altruísmo por parte da enfermeira Rosa que de forma incessante vai deixando que a Madeline viva a sua vida como uma adolescente normal, procurando preservar a sua saúde, mas deixando que esta não seja um impedimento para a felicidade da sua doente. Rosa é sem dúvida a personagem mais maternal, adopta Madeline no seu coração e acaba por se tornar a sua maior aliada e confidente. Gostei muito desta personagem, faz-me lembrar a minha bisavó por mais estranho que vos possa parecer, toda aquela liberdade, aquela preocupação que não acabava, mas que me deixava fazer todas as baboseiras que uma criança nem sempre pode, mas devia fazer, por isso, sem dúvida que todos precisamos do empurrãozinho de uma "Rosa" na nossa vida, mais que não seja para não ficarmos agarrados a um nada que pensámos ser uma vida.
A escrita da autora é bastante fluída, sendo até difícil parar de ler de tão doce e jovial que é, o que, por sua vez, acaba por tornar a narrativa adequada para qualquer faixa etária que se sinta tentada a mergulhar nas páginas deste livro. 
Outro ponto positivo, diria até adorável, é a existência de várias marcas textuais e ilustrativas que conferem ao livro uma leveza e cariz de entretenimento visual muito aprazíveis. Tenho a certeza que o simples facto de haver esta quebra de bloco de texto para a inserção de uma imagem ou esquema vos fará sentir como se estivessem a deslindar um mistério que só pode ser observados nos manuais escolares que tantas dores de cabeça vos deram. 
Gostaria de vos poder dizer mais sobre o livro, mas acabaria por fazer spoilers e não seria justo para quem ainda não leu (acredito que seja um grupo bem pequenino de leitores), mas posso dizer-vos que apesar de achar este livro ligeiramente previsível no que toca aos acontecimentos futuros e possíveis motores que levaram a essas situações de exclusão social e possível clausura da protagonista, acabámos por ser surpreendidos e ficar maravilhados. A mensagem do livro é muito delicada, diria até que a autora tentou de certa forma suavizar parte do grande twist da história, no entanto, faz-nos pensar como seria a nossa vida senão pudéssemos sair, cheirar, andar descalços pela casa, correr na relva molhada e tantas outras coisas que fazemos, tomámos por garantidas e nunca vamos saber o que é viver sem elas. A vida é um tesouro, mas o maior tesouro é ter a oportunidade de vivê-la como se quer, acompanhado por quem se ama e acima de tudo longe das muralhas que nos podem prender.

Aproveito ainda para vos dizer, caso não saibam, que brevemente (19 de maio de 2017, nos USA) saíra a adaptação cinematográfica deste livro (obviamente que não vou querer perder). 
Deixo-vos aqui o trailer e espero que vos tenha despertado não só o interesse para ver, mas também para lerem este miminho.



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