Opinião/Review - Os altos e baixos do meu coração de Becky Albertalli - Porto Editora


Sinopse
Aos 17 anos, Molly sabe tudo o que há para saber sobre o amor não correspondido. É que a jovem já se apaixonou 27 vezes, mas sempre em segredo. E por mais que a irmã gémea, Cassie, lhe diga para ter juízo, Molly tem sempre cuidado. É melhor ter cuidado do que sofrer.

Quando Cassie se apaixona, a sua nova relação traz um novo círculo de amigos. Dele faz parte Will, que é engraçado, namoradeiro e um excelente candidato a primeiro namorado da Molly.

Mas há um problema: o colega de Molly, Reid, um cromo e fã incondicional de Tolkien, por quem ela jamais se apaixonaria… certo?

Uma história divertida e comovente sobre primeiros amores e a importância de sermos fiéis a nós mesmos.

Opinião

Comecei este livro sem expectativas, apesar de já conhecer a autora e de ter adorado ler " O coração de Simon contra o mundo", achei por bem ler esta segunda aposta da Porto Editora sabendo o menos possível sobre o mesmo para não me sentir desiludida caso não me sentisse conquistada.
Posso dizer-vos que contrariamente ao primeiro livro, não me senti de todo rendida. 
Os altos e baixos do meu coração não deixa de ser um livro com uma narrativa muito bem construída e com a capacidade de arrancar dos seus leitores as maiores gargalhadas ou a mais profundas reflexões, no entanto, o meu maior problema foi a falta de ligação com os personagens.
Molly é uma adolescente como outra qualquer com a pequena particularidade de achar que não se insere naqueles ambientes juvenis mais radicais bastante diferente da sua irmã gémea Cassie que para além de enquadrar nos parâmetros de beleza estipulados é muito mais social. 
A disparidade entre a personalidade das gémeas acaba por servir de alavanca para o avanço da narrativa e consequente desenrolar da mesma, havendo a quebra da relação entre as duas e o aparecimento de dois rapazes na vida de Molly que poderão ou não ser o seu escape da roda viva das "crushes" amorosas que vai sentindo e deixando passar.
Confesso que não gostei minimamente de nenhuma das personagens, achei que eram demasiado extremistas no seu papel, nem tanto ao mar nem tanto à terra, no entanto, compreendo a ideia de inserir estas atitudes e personalidades na mesma estória, confere-lhe alguma diversidade e a autora prima por esse factor.
A presença de estereótipos que normalmente são tidos como ponto negativo e obstáculo à criação de narrativas que girem em torno de personagens que estejam fora da zona de conforto dos leitores e da idealização de que todos os personagens de livros são lindos, perfeitos e sem qualquer marca ou insegurança acaba por tornar este livro numa estória inclusiva e de resposta direta ao preconceito que infelizmente criámos sem que nos demos conta.
Seria suposto e esperado que cada pessoa se conseguisse identificar e empatizar com uma personagem especificamente devido à mistura de personalidades que a narrativa oferece, no entanto, comigo não funcionou.
Outro ponto que já me tem vindo a saturar e que começa a ser demasiado fatidioso de ler é a existência de um triângulo amoroso ou de uma tentativa de triângulo amoroso que não seria nada de estranhar devido à capacidade que a personagem principal tem de se apaixonar só de olhar para uma pessoa.
Becky Albertalli procura criar pontes entre as diferentes orientações, tipos de famílias, religiões, de modo a consciencializar os jovens para a aceitação e respeito pela diversidade e escolha de cada individuo. Consegue pôr os leitores a refletir e a conversar sobre assuntos que em algumas casas e comunidades se tornam tabus.
Gostava só de salientar que a referência e entrada de personagens do livro anterior me deixou bastante contente, adorei reler algumas personagens e acho que no geral foi mesmo o meu ponto alto de leitura.
Apesar de não ter sido uma das minhas leituras favoritas, convido-vos a ler e experimentar ler a obra e debatê-la com os vossos colegas, amigos e família, certamente haverá muita coisa que poderão aprender e acima de tudo tentar compreender e aceitar. 

Passatempo de marcadores Dia Internacional da Sailor Moon - Retro Attic

Bom dia Novelitos!

Venho trazer-vos um miminho!

No próximo dia 30 de junho, celebra-se o Dia Internacional da Sailor Moon, assim sendo, para celebrar este dia e dar-vos a conhecer a nova coleção fabulosa da Retro Attic, vou oferecer em parceria com a loja um pack de 3 marcadores de papel/origami alusivos à personagem principal Usagi/Princesa Serenity!

Como sabem, a Retro Attic já é uma das parcerias mais antigas do blogue e, por isso, podem esperar profissionalismo e muito cuidado no tratamento do prémio.

O pack será oferecido a um ÚNICO vencedor.

Como sempre, o sorteio será realizado através de rafflecopter, como tal, peço que por favor sigam todas as regras para evitar desqualificações desnecessárias! Todos os links para seguir as páginas e o blogue estarão presentes no rafflecopter, só têm de preencher!







Regras do passatempo:

 -É obrigatório ser seguidor do blogue;
- É obrigatório gostar das páginas do blogue e da Retro Attic;
- Podem participar 1 vez por dia desde que façam uma nova partilha;
- Os autores, parceiros e blogue não se responsabilizam por eventuais extravios do prémio;
- Podem participar pessoas de Portugal Continental e das ilhas;
- O sorteio será efectuado através do Rafflecopter, o vencedor será contactado em seguida e terá 2 dias para responder ao email, caso não o faça, o prémio será atribuído a um novo vencedor;
- O passatempo começa hoje e termina no dia 30 de junho de 2018 às 12 horas.


Boa sorte, boas leituras e até ao próximo post!!!


Opinião/Review - "Sorrisos Quebrados" de Sofia Silva - Editorial Presença

Bom dia Novelitos!

Finalmente estou de volta e trago-vos a primeira opinião deste novo ciclo.



Sinopse

Mais de 1 milhão de leituras na plataforma online Wattpad em apenas 1 ano Paola está num momento chave da sua vida. Vai ter de decidir se quer continuar a viver ou se vai deixar-se morrer às mãos do homem por quem um dia se apaixonou e com quem veio a casar. Como foi possível que aquele homem bem parecido, poderoso e deslumbrante se tornasse no monstro que a está a destruir? Mas Paola decide viver. 

E, no mais improvável dos lugares, vai encontrar de novo a luz e descobrir que, afinal, é possível amar outra vez. Sorrisos Quebrados marca a estreia de Sofia Silva na escrita de ficção. Um romance sobre violência doméstica, abuso sexual e as segundas oportunidades que a vida por vezes reserva.


Opinião

Estive a ponderar durante algumas horas se deveria ou não escrever esta opinião, no entanto, acho que é importante que diferentes perspectivas devam ser tidas em conta quando se vai ler um livro que se tornou um fenómeno intercontinental.
Sorrisos Quebrados é um livro que aborda temas bastante complexos e difíceis de digerir de uma forma muito leve, isto é, a escrita da autora permite que o leitor rapidamente consiga ler este livro sem que se sinta nauseado com o conteúdo.
Para quem não sabe, este livro, antes de chegar às livrarias, foi publicado numa plataforma virtual chamada Watpadd (a qual eu sigo e estou bastante familiarizada com a mesma), assim sendo, a sucessão dos capítulos é bastante rápida e o final do cada capitulo deixa o leitor à espera do seguinte. Esta característica é bastante típica da plataforma onde foi publicado porque os autores vão publicando capitulo a capitulo e não a obra por inteiro, como tal é necessário que os leitores se sintam sempre curiosos e com vontade de continuar a descobrir a estória que está a ser partilhada.
Apesar da escrita poética e leve que impera durante a narrativa, não posso dizer que este livro me tenha enchido as medidas como esperava.
Acho-o de certa forma surreal, existem situações que não correspondem à realidade e são romanceadas para facilitar a evolução rápida da narrativa.
Passo a explicar o meu ponto de vista:
- Uma criança traumatizada como a que nos é descrita no livro, nunca iria criar uma ligação forte com uma desconhecida no primeiro dia que entra em contacto com a mesma. Por muito que nos pareça que é bonito e que é possível, não o é e eu sofri-o na pele durante 2 meses. Não se trata da forma como se aborda a criança, trata-se de como ela vê o mundo e como a sua confiança tem de ser conquistada pouco a pouco. Não há magia, há tempo, esforço, dedicação e uma grande dose de paciência. Entendo que os leitores simpatizem com esta relação, mas para mim não funcionou porque não acho que corresponda à realidade. Apesar de gostar imenso da personagem Sol, não posso dizer que a sua construção estivesse completamente bem feita, existem falhas, mas não sou ninguém para as apontar, é apenas a minha opinião.
- Existem momentos em que a protagonista sofre abusos físicos sucessivos, o que seria de esperar tendo em conta o tema do livro, no entanto, não posso dizer que, principalmente, o prólogo me tenha emocionado ou chocado porque não entendo como uma pessoa sobrevive a tanta pancada sucessiva mantendo-se consciente e completamente racional para responder ao agressor. Não estamos a falar de estalos ou de pontapés, estamos a falar de violência física com o auxílio de objetos e outras intervenções que posso revelar sob pena de ser spoiler. Existem traços da personalidade dela que não me fazem criar uma ligação com a mesma o que acabou por tornar um pouco difícil a minha integração na estória. Há um par de coisas que não entendo e decisões/comportamentos que não consigo associar a uma personagem com um passado tão sofrido.
- A relação entre os protagonista é muito, mas muito repetitiva. Apesar de os achar extremamente queridos um para o outro, senti que me estavam a aborrecer porque os acontecimentos acabavam por se tornar previsíveis. Acho que teria imenso por onde crescer, no entanto, ficou no mesmo ciclo inicial que se foi construindo a partir da primeira interação entre os dois.
- Para quem não gosta de ler texto em Português do Brasil, poderá encontrar no livro algumas palavras ou expressões que quebrem um pouco a leitura. Não tenho rigorosamente nada contra, mas faltou uma revisão mais cuidada sob o texto. O livro foi publicado em primeiro lugar no Brasil e como tal é natural que tenha sido adaptado ao público alvo com algumas expressões características, no entanto, sendo que o livro foi posteriormente publicado cá e a autora é portuguesa acho que deveriam ter revisto totalmente o texto para não ficar uma mistura de dois idiomas/expressões idiomáticas desnecessariamente.
Confesso que fiquei mais interessada em compreender/saber o passado dos personagens do que propriamente o momento presente em que se debatiam sobre a sua relação e a forma como a iriam conseguir viver.
De salientar que também houve partes das quais gostei. Achei muito interessante ver algumas técnicas de pintura explicadas e exploradas sob o ponto de vista de adulto- criança e a criação de uma clínica de reabilitação que permitia que os seus habitantes recebessem não só tratamentos, mas a possibilidade de viver uma vida quase normal rodeada de pessoas que os entendem e aceitam pareceu-me bastante pertinente e enriqueceu a narrativa.
Sorrisos Quebrados é um livro de fácil leitura quase poético e cheio de pequenas ou grandes frases que nos fazem ponderar sobre a nossa vida e algumas das nossas escolhas. É um livro para qualquer pessoa, mas que poderá não agradar a todo o público. Não esperem chorar, não esperem ficar completamente rendidos só por olhar para a capa. leiam-no sem expetativas e de coração aberto para que a vossa opinião seja fiel ao vosso pensamento.
O livro não é de todo um livro mau, tem apenas algumas falhas que para mim me fizeram sentir um pouco desiludida com o mesmo, no entanto, se procuram um livro que vos faça sair da vossa ressaca literária tenho a certeza que este é uma boa opção. 
Leve, simples, ligeiramente poético e com algumas ilustrações, Sorrisos Quebrados, é um livro que prende o autor pela sua simplicidade.