Opinião - Fangirl de Rainbow Rowell - Edições Chá das Cinco

Boa tarde Novelitos! Para terminar bem esta semana venho dar-vos a conhecer a minha opinião sobre o livro Fangirl!





Edição/reimpressão:2015
Páginas: 448
Editor: Edições Chá das Cinco
ISBN: 9789897102097

Sinopse
Cath ama os seus livros e a sua família. Haverá espaço para mais alguém? Todo o mundo é fã dos livros de Simon Snow. Mas Cath vai mais longe: ser fã desses livros tornou-se a sua vida. Ela e a sua irmã gémea, Wren, refugiaram-se na obra de Simon Snow quando eram miúdas, e na verdade foi isso que as salvou da ruína emocional que foi a perda da mãe. Ler. Reler. Interagir em fóruns, escrever ficção baseada na obra de Simon Snow, vestir-se como as personagens dos livros. Mas essas fantasias deixam de fazer sentido quando se cresce, e enquanto Wren facilmente abandona esse refúgio, Cath não consegue fazê-lo. Na verdade, nem quer. Agora que vão para a universidade, Wren não quer ficar no mesmo quarto de Cath. E esta fica sozinha e fora da sua zona de conforto. Partilha o quarto com uma miúda arrogante; tem um professor que despreza os seus gostos; um colega atraente mas que apenas fala sobre a beleza das palavras... e, ainda por cima, Cath não consegue parar de se preocupar com o seu pai, tão querido, frágil e solitário. A pergunta paira no ar: será que ela consegue triunfar sem que Wren lhe dê a mão? Estará preparada para viver a vida em seu nome? Escrever as suas próprias histórias? E se isso significar deixar Simon Snow para trás?

Opinião

Quem já segue o blogue há algum tempo sabe que, apesar de ter adorado, tive alguns problemas com o livro Eleanor & Park, pela sua estrutura e pelo seu conteúdo e posso dizer-vos que Fangirl não lhe ficou muito atrás.
Ao longo da narrativa vamos conhecendo melhor as duas gémeas Cath e Wren que contrariamente ao que se pode esperar de um duo de gémeas que toda a vida partilhou os mesmos gostos, espaços e vida se transformam em dois indivíduos que interpretam o desenvolvimento pessoal de duas formas completamente diferentes. Se por um lado Cath quer que continuem a ser a sombra uma da outra e até partilhem o mesmo quarto na faculdade, Wren tem outros planos, esta pretende adquirir algumas noções de independência e afirmar-se dentro da universidade através das saídas e do conhecimento de novos ambientes e pessoas. Cath é introvertida e ao se ver confrontada com a ausência da sua melhor amiga e a companhia de uma colega de quarto que em nada tem a ver consigo ou com as pessoas com quem esperava ter de lidar começa a entrar numa espiral de emoções que nunca esperou sentir.
Cath e Wren partilham um guilty pleasure, o gosto pela série de livro de Simon Snow e , por terem crescido num mundo onde se valoriza em grande escala a fan-fiction, Cath encontra o seu refúgio em fóruns e no seu blogue que se torna a sua única porta para o mundo exterior. 
Dispensava claramente os excertos da série, no entanto, entendo que tendo em conta a personalidade de Cath e a bagagem da sua personalidade de certa forma a sua existência transporta-nos de capitulo em capitulo para o que possivelmente se irá passar com a protagonista, isto é, é como uma introdução para os obstáculos ou acontecimentos que poderão suceder ao virar da página.
Tenho a dizer-vos que adorei a Reagan, apesar de inicialmente me parecer tresloucada e um pouco irritante com o avançar da história percebi qual era a sua função e o porquê de ser uma personagem que causa um choque inicial tão forte em Cath (Leiam e compreenderão).
Não gostei tanto do Levi, achei-o exageradamente chato, e com isto quero dizer que me pareceu muito insistente, apesar de compreender que a Cath necessitava daquele empurrãozinho para sair da concha não consigo compreender porque é que o rapaz tinha de ser tão irritante e insistente.
Gostei imenso da Cath porque me identificaria com ela em alguns momentos da minha vida, a sua introversão e a sua necessidade de escrever para deixar que as outras pessoas notem a sua capacidade e consigam entrar na sua mente criativa fizeram-me pensar que se calhar também já fui assim, também precisei daquele empurrão e também me assustei quando entrei na Universidade e me deparei com um mundo completamente novo e em parte assustador.
A paixão pelos livros é outro ponto a favor desta narrativa, qualquer leitor que se preze vai rever-se nestas páginas e abraçar de corpo e alma esta narrativa young adult que tanto se pode aproximar do que em adultos ainda somos capazes de sentir e vivenciar. Quem não queria dar um rumo diferente a uma personagem? Que nunca pensou em continuar uma história que de certa forma lhe pareceu estupidamente inacabada? Quem nunca teve vontade que um livro/coleção não acabasse e desejou que o autor nunca deixasse que esse dia chegasse? 
Pois é, todos nós já passamos pela fase de descontentamento e pela fase de "tão bom que soube a pouco" e não é nada agradável.
Tenho de salientar que não gostei do romance, achei-o morno, demasiado forçado e ligeiramente aborrecido, parece-me que Fangirl nos quis dar outra lição que não a da menina acanhada que conhece o rapaz extrovertido, na minha opinião, tratou-se mais de uma viagem introspectiva de reconhecimento que através dos seus obstáculos e desafios mostrou a Cath que a vida é muito mais que quatro paredes, um computador e um local onde escrever. 
Em suma, gostei do livro, do enredo, mas retirava-lhe claramente o romance porque não acrescentou nada de interessante ao livro. 
Fangirl devia ser lido por aquelas pessoas que estão a mudar de vida, a perder o pé ou a sair da zona de conforto porque lhes mostrará que às vezes é nessa mesma incerteza que redescobrimos que além de nos podermos adaptar também podemos ser felizes fora da caixa.




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