Opinião - "Corações na Escuridão" de Laura Kaye - O Castor de Papel



Sinopse

Dois estranhos...

Makenna James acha que o seu dia não pode ficar pior até que no edifício do seu escritório corre para apanhar o elevador. Enquanto se distrai para atender uma chamada o elevador pára e fica às escuras. Makenna encontra-se assim na companhia de um estranho do qual apenas vislumbrou a tatuagem de um dragão numa das suas mãos antes das luzes se apagarem.



Quatro horas...
Caden Grayson diverte-se com esta linda ruiva tão atrapalhada com a sua mala e o telemóvel. Mas logo a diversão acaba quando o elevador se imobiliza e ele, apesar dos seus piercings, tatuagens e cicatrizes, entra em pânico. Agora está preso dentro do seu pior pesadelo… durante quatro horas. Somente abrindo-se com Makenna é que Caden poderá vencer os seus demónios, da mesma foram que Makenna consegue ultrapassar o seu terror do desconhecido. Aos poucos e apesar da escuridão, ambos acabam por descobrir o muito que têm em comum. Na escuridão a atração e o desejo crescem e os dois não resistem a envolver-se com paixão. Mas, perguntam-se, irão sentir o mesmo quando as luzes voltarem? E quando forem salvos do elevador que os aprisiona o que farão?

Opinião

Desde que este livro saiu que andava extremamente curiosa para o ler devido a todo o burburinho e opiniões positivas que fui lendo aquando do seu lançamento, no entanto, não posso dizer que partilhe da opinião geral que tem vindo a ser partilhada pela blogoesfera.
Andei a ler este pequeno livro durante 3 semanas, não pela sua extensão, mas pela sua narração. Achei que a escrita da autora era bastante pobre, principalmente durante toda a ação que foi decorrendo dentro do elevador. Entendo que não havia muito por onde construir frases, mas sinceramente, não esperava que fosse tão repetitivo. O recurso a pronomes pessoais ou ao nome das personagens era feito de forma repetitiva e o desenrolar da ação acontecia em frases curtas que se iniciavam exatamente da mesma forma, isto é, não havia vocabulário/movimentação suficiente para que de facto eu me sentisse atraída quer pela escrita, quer para história.
Confesso que esperava muito mais deste livro, talvez porque a sua premissa sempre me cativou, no entanto, pareceu-me que a excessiva necessidade de manter os dois personagens confinados ao espaço em que ficaram presos até mais de metade do livro acabou por me deixar completamente aborrecida e com vontade de saltar páginas para ver se realmente haveria algum desenvolvimento.
Não consigo de todo compreender a relação que saiu do elevador e muito menos consigo entender como é possível que sabendo tão pouco um do outro acabam (após 4 horas) sem saber viver um sem o outro como se precisassem de estar juntos até para respirar.
Outro ponto bastante negativo é a dupla perspetiva presente neste livro, vocês conhecem-me, normalmente é algo que eu adoro e costuma ser bastante útil para se compreender a história e as personagens que dela fazem parte, mas neste livro foi sem dúvida o que mais me enervou. Normalmente esperamos que a história avance sob a perspetiva de outro personagem, mas Laura Kaye faz a coisa mais absurda de sempre, volta atrás quase 5 páginas e reconta exatamente a mesma coisa mudando apenas a perspetiva. Isto faria sentido se estivéssemos perante um livro que se desenrolasse exclusivamente sob a perspetiva de um só personagem masculino ou feminino, agora num livro de dupla perspetiva é completamente saturante para quem o lê.
Relativamente aos personagens e à sua interação, tirando a poção de amor à primeira vista e de morrer por ele, adorei a forma como foram interagindo e achei bastante divertidas as conversas que foram trocando. O cariz erótico não foi de todo interessante, até porque demorou horrores até se concretizar, entendo que as personagens não se conheciam e que acima de tudo todos os sentidos (exceto a visão) estavam a tentar ser explorados através de escrita puramente sensorial por parte da autora, no entanto, tal não funcionou comigo, dei por mim a bocejar e a desejar que se decidissem de uma vez a fazer alguma coisa.
Em suma, Corações na Escuridão tinha tudo para ser um bom livro, mas ficou bastante aquém das minhas expectativas. Talvez funcione com outros leitores que não se concentrem tanto em pormenores extra o romance que a autora construiu, mas para mim foi uma grande desilusão.
Espero que o segundo seja melhor, talvez a existência de diferentes espaços permita uma maior movimentação das personagens e uma narração mais fluída.

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