É na solidão de um dia Invernoso que te apercebes que aquela sensação fria entranhada na tuas veias não é nada mais do que a saudade que aperta esse coração.
Vais sentir-te fracassar quando olhares e realmente assimilares que ninguém vai parar para impedir que a chuva te gele os ossos. 
O Inverno lembra-te de que as pessoas são como um puzzle, cada mão é o perfeito encaixe para os dedos que te eriçam as terminações nervosas quando as tuas palmas encontram as palmas de um outro alguém que te faz tremer, não de frio, mas de um medo incompreensível de te entregares.
É assim que vês que aqueles que te contam histórias de sentimentos e sensações utópicas talvez não estejam a dever tanto tempo à sanidade quanto isso, aliás, começas a ponderar se a tua própria sanidade não depende de uma entrega que não estás disposto a dar. 
Começas a olhar em volta à procura da anormalidade, daquela estupidez incessante que te fará sorrir e rebentar de fúria ao mesmo tempo que te deixas abraçar por alguém ou alguma coisa que te preencha as falhas, porque no fim do dia sabes que quando regressares a casa será como se a vida de alguma forma te sorrisse.
Mantens-te simpático só para que te achem são, quando na realidade estás numa luta constante contra a tua própria loucura, deixas que ela te corroa e, ainda que estejas a cair aos pedaços não o vais admitir...não, admitir é mostrar a fraqueza que queres esconder e isso não te faz sentir capaz de atravessar a inundação que se avizinha.
Apercebeste porém que tens de viver como se a qualquer momento alguém te fosse matar porque mais vale morrer que fingir viver numa solidão que não passa na primavera, não aquece no verão e não se renova no outono.
Escolhe a tua vida, constrói as tuas amizades, recebe e aproveita cada tipo de amor que te atropele pelo caminho, não te escondas mais atrás do guarda chuva, deixa a chuva entrar e lavar poeira que te impede de respirar, dança debaixo de chuva e afirma-te. Permite-te ser Tu, mas acima de tudo permite que o teu Eu de amanhã seja sempre mais feliz e realizado que o de ontem.


Opinião - Fangirl de Rainbow Rowell - Edições Chá das Cinco

Boa tarde Novelitos! Para terminar bem esta semana venho dar-vos a conhecer a minha opinião sobre o livro Fangirl!





Edição/reimpressão:2015
Páginas: 448
Editor: Edições Chá das Cinco
ISBN: 9789897102097

Sinopse
Cath ama os seus livros e a sua família. Haverá espaço para mais alguém? Todo o mundo é fã dos livros de Simon Snow. Mas Cath vai mais longe: ser fã desses livros tornou-se a sua vida. Ela e a sua irmã gémea, Wren, refugiaram-se na obra de Simon Snow quando eram miúdas, e na verdade foi isso que as salvou da ruína emocional que foi a perda da mãe. Ler. Reler. Interagir em fóruns, escrever ficção baseada na obra de Simon Snow, vestir-se como as personagens dos livros. Mas essas fantasias deixam de fazer sentido quando se cresce, e enquanto Wren facilmente abandona esse refúgio, Cath não consegue fazê-lo. Na verdade, nem quer. Agora que vão para a universidade, Wren não quer ficar no mesmo quarto de Cath. E esta fica sozinha e fora da sua zona de conforto. Partilha o quarto com uma miúda arrogante; tem um professor que despreza os seus gostos; um colega atraente mas que apenas fala sobre a beleza das palavras... e, ainda por cima, Cath não consegue parar de se preocupar com o seu pai, tão querido, frágil e solitário. A pergunta paira no ar: será que ela consegue triunfar sem que Wren lhe dê a mão? Estará preparada para viver a vida em seu nome? Escrever as suas próprias histórias? E se isso significar deixar Simon Snow para trás?

Opinião

Quem já segue o blogue há algum tempo sabe que, apesar de ter adorado, tive alguns problemas com o livro Eleanor & Park, pela sua estrutura e pelo seu conteúdo e posso dizer-vos que Fangirl não lhe ficou muito atrás.
Ao longo da narrativa vamos conhecendo melhor as duas gémeas Cath e Wren que contrariamente ao que se pode esperar de um duo de gémeas que toda a vida partilhou os mesmos gostos, espaços e vida se transformam em dois indivíduos que interpretam o desenvolvimento pessoal de duas formas completamente diferentes. Se por um lado Cath quer que continuem a ser a sombra uma da outra e até partilhem o mesmo quarto na faculdade, Wren tem outros planos, esta pretende adquirir algumas noções de independência e afirmar-se dentro da universidade através das saídas e do conhecimento de novos ambientes e pessoas. Cath é introvertida e ao se ver confrontada com a ausência da sua melhor amiga e a companhia de uma colega de quarto que em nada tem a ver consigo ou com as pessoas com quem esperava ter de lidar começa a entrar numa espiral de emoções que nunca esperou sentir.
Cath e Wren partilham um guilty pleasure, o gosto pela série de livro de Simon Snow e , por terem crescido num mundo onde se valoriza em grande escala a fan-fiction, Cath encontra o seu refúgio em fóruns e no seu blogue que se torna a sua única porta para o mundo exterior. 
Dispensava claramente os excertos da série, no entanto, entendo que tendo em conta a personalidade de Cath e a bagagem da sua personalidade de certa forma a sua existência transporta-nos de capitulo em capitulo para o que possivelmente se irá passar com a protagonista, isto é, é como uma introdução para os obstáculos ou acontecimentos que poderão suceder ao virar da página.
Tenho a dizer-vos que adorei a Reagan, apesar de inicialmente me parecer tresloucada e um pouco irritante com o avançar da história percebi qual era a sua função e o porquê de ser uma personagem que causa um choque inicial tão forte em Cath (Leiam e compreenderão).
Não gostei tanto do Levi, achei-o exageradamente chato, e com isto quero dizer que me pareceu muito insistente, apesar de compreender que a Cath necessitava daquele empurrãozinho para sair da concha não consigo compreender porque é que o rapaz tinha de ser tão irritante e insistente.
Gostei imenso da Cath porque me identificaria com ela em alguns momentos da minha vida, a sua introversão e a sua necessidade de escrever para deixar que as outras pessoas notem a sua capacidade e consigam entrar na sua mente criativa fizeram-me pensar que se calhar também já fui assim, também precisei daquele empurrão e também me assustei quando entrei na Universidade e me deparei com um mundo completamente novo e em parte assustador.
A paixão pelos livros é outro ponto a favor desta narrativa, qualquer leitor que se preze vai rever-se nestas páginas e abraçar de corpo e alma esta narrativa young adult que tanto se pode aproximar do que em adultos ainda somos capazes de sentir e vivenciar. Quem não queria dar um rumo diferente a uma personagem? Que nunca pensou em continuar uma história que de certa forma lhe pareceu estupidamente inacabada? Quem nunca teve vontade que um livro/coleção não acabasse e desejou que o autor nunca deixasse que esse dia chegasse? 
Pois é, todos nós já passamos pela fase de descontentamento e pela fase de "tão bom que soube a pouco" e não é nada agradável.
Tenho de salientar que não gostei do romance, achei-o morno, demasiado forçado e ligeiramente aborrecido, parece-me que Fangirl nos quis dar outra lição que não a da menina acanhada que conhece o rapaz extrovertido, na minha opinião, tratou-se mais de uma viagem introspectiva de reconhecimento que através dos seus obstáculos e desafios mostrou a Cath que a vida é muito mais que quatro paredes, um computador e um local onde escrever. 
Em suma, gostei do livro, do enredo, mas retirava-lhe claramente o romance porque não acrescentou nada de interessante ao livro. 
Fangirl devia ser lido por aquelas pessoas que estão a mudar de vida, a perder o pé ou a sair da zona de conforto porque lhes mostrará que às vezes é nessa mesma incerteza que redescobrimos que além de nos podermos adaptar também podemos ser felizes fora da caixa.




Desafio 2016 - Attack on Mangá

Para terminar a nossa atualização de hoje, venho dizer-vos que decidi participar num desafio literário dedicado exclusivamente ao estilo literário Mangá! O desafio foi criado pela Raquel do blogue Raquel Collin e eu decidi aventurar-me com ela :p
Ora bem, em que consiste este desafio? Todos os meses teremos de ler um volume (cerca de 6-10 capitulos) de um mangá que satisfaça a condição imposta para cada mês. Não custa nada, participem, um volume de manga lê-se rápido e mesmo que nunca tenham experimentado este género, esta talvez seja a vossa oportunidade, o vosso empurrãozinho para começar :)


Janeiro – Tema livre para começar bem o ano :3
Fevereiro – Ler um Shoujo <3 span="">
Março – Ler um one-shot!
Abril – Um mangá adaptado de um anime
Maio – Ler qualquer um mangá recomendado
Junho – Ler um Shounen
Julho – Um clássico
Agosto – Uma série que esteja concluída
Setembro – Um que se passe num colégio
Outubro – Ler um mangá que se tenha visto a adaptação
Novembro – Um que tenha ficado em primeiro lugar nas vendas de uma das semanas do mês
Dezembro – Algum que se passe no Natal.


Adorei a ideia e não poderia ficar de fora :) Venham participar connosco !