Opinião "Just Breathe- apenas respira" de Sílvia Rodrigues Pais - Chiado Editora

Boa tarde Novelitos!

Hoje é dia de Opinião!



Título Original: Just Breath - Apenas Respira
Autor: Sílvia Rodrigues Pais
Editora: Chiado Editora
Data de publicação: Julho de 2015
Número de páginas: 638
ISBN: 978-989-51-4403-7
Colecção: Viagens na Ficção
Género: Romance

Sinopse

Emily Miller, uma rapariga doce, deixa família e amigos em Los Angeles e vai estudar para a Universidade de Yale. Conhece Liam Price, o típico bad boy dos tempos modernos, que vira a sua vida do avesso, obrigando-a a enfrentar os seus medos e a desenterrar fantasmas do passado. 
Nova cidade, novos amigos, novas aventuras e novos amores se avizinham. Esta é uma história de luta contra demónios, de conflitos interiores, de vinganças, vitórias e derrotas.Conseguirá Emily finalmente ser feliz?

Nada. Não sinto nada. Nem borboletas no estômago, nem arrepios, nada. Não senti nada tal como das outras vezes. Estou danificada. Não importa quantos rapazes eu beije, nunca vou sentir nada. Ele acabou comigo de vez. Ele tirou tudo de mim. – Emily Miller


 Sobre a autora:

 Sílvia Rodrigues Pais nasceu numa pequena cidade a norte de Portugal, Viana do Castelo. Teve uma infância normal, sem as loucas tecnologias, como qualquer outra criança da sua geração. Atualmente, mora no Reino Unido onde exerce enfermagem.
É enfermeira de profissão, e escritora por paixão. Descreve-se como uma sonhadora que possui um mundo à parte, uma realidade inventada, onde se refugia para sair da alienação do dia-a-dia.
Adora ler, adora cinema, adora escrever. As suas ideias são escritas sobre a forma de frases soltas que se encadeiam para dar lugar a um enredo.
É só uma rapariga normal com o sonho de levar a sua obra aos que a quiserem aceitar. 


Opinião

Iniciei Dezembro com o final desta obra e posso dizer que, apesar de uma ou outra chatice com a escrita e personagens, este livro se revelou uma agradável surpresa.
Aparentemente o livro pode parecer extenso e assustar um pouco porque se trata de uma obra de 638 páginas, mas posso garantir-vos que nem vão dar pelas páginas passar, a escrita é tão simples e leve que se consegue ler quase de uma vez.
Gostaria de chamar a atenção para dois pontos importantes: em primeiro lugar o livro está carregadinho de gralhas, pequenas omissões de letras ou acrescentos que tornam a palavra estranha, mas ainda assim não se pode considerar um erro ortográfico, gostariam ainda de acrescentar que o livro segue o novo acordo ortográfico, por isso, é comum encontrarmos palavras como "para!" em vez e "pára!", não se assustem , a autora não se enganou é mesmo assim; em segundo lugar gostaria de falar um pouco sobre o cliché da história. Sim, a história segue a típica linha de romance em universidade/escola, mas sinceramente não foi um ponto que me incomodasse de todo, até porque alguns dos meus livros favoritos (escritos por autores estrangeiros) seguem este mesmo caminho a nível de personagens e sua personalidade e a nível de desenvolvimento da narrativa, por isso, não posso penalizar a autora por se apropriar de uma ideia mais que utilizada porque afinal houve alguém a ter a ideia, mas agora outros podem escolhe-la e desenvolvê-la como quiserem e esta foi bem desenvolvida dentro das suas limitações.
A história não é, de todo, surpreendente e conseguimos em alguns momento adivinhar o próximo passo ou momento, afinal já estamos mecanicamente preparados para o fazer porque, como referi acima estamos cansados de ler o mesmo molde, mas torna-se numa história familiar e de fácil empatia.
Relativamente aos personagens tive alguns problemas com a nova melhor amiga da protagonista, simplesmente me irritava aquela personalidade festeira e de cabeça no ar que tinha, não sei, não lhe conseguia atribuir uma forma agradável aos meus olhos e talvez por isso se tenha tornado na personagem que menos gostei durante a trama. Em relação a Liam acho que claramente segue o molde de típico badboy que se mostra de uma forma no inicio e depois se vai adaptando ou desvendando a sua real natureza. A nossa protagonista tem falta de confiança  e acima de tudo teve momentos na sua personalidade que me deram vontade de a passar à frente porque não era capaz de tomar uma decisão ou de aproveitar o momento porque estava constantemente atracada ao passado que a assombrava.
Em suma, apesar do cliché, das gralhas e da constante presença de personagens irritantes, "Just Breathe" é o livro ideal para largar a típica ressaca literária, porque é uma narrativa leve, divertida e com um romance subtil que vai crescendo ao longo de cada capitulo em vez de cair em enxurrada directamente no inicio do livro, ou seja, o leitor tem acesso a todo o amadurecimento e infantilidade tipicamente associados a este género de romance.


Divulgação - "O baloiço vazio" de Carla Lima - Pastelaria Studios Editora

Boa Tarde Novelitos!

Hoje trago-vos mais um post de divulgação! Venho dar-vos a conhecer o livro "O Baloiço Vazio" da autora açoriana Carla Lima.
Esteja atentos ao post e ao blogue, brevemente também terei um exemplar deste livro (autografado) para vos oferecer!




Edição/reimpressão:2014
Páginas: 85
Editor: Pastelaria Studios Editora
ISBN: 9789898629449


Sinopse/ Excerto

"Eu deitada na cama, de barriga para cima, com os olhos fechados e os braços cruzados sobre o peito,
- O que estás a fazer?
-Estou a fingir que estou morta
- Porquê?
- Porquê me apetece. Importas-te?
- Mas porquê?
- Porque antes estar morta do que viver assim
- Assim como?
- Numa prisão
- Numa prisão?
-Estou presa a ti
- Estamos presos um ao outro
- Nem a fingir de morta me deixas em paz"



Para quem não quiser esperar pelo passatempo deixo aqui a página oficial do livro onde poderão encontrar todas as informações sobre o mesmo e ainda uma mega campanha de Natal a partir da qual poderão adquirir o livro autografado diretamente da autora e a um preço bastante acessível! Pode aceder à página aqui

Bom resto de Sábado, beijinhos e boas leituras *





Opinião de Manga - Ao Haru Ride ( Aoharaido) de Io Sakisaka volumes 1 a 4

Boa tarde Novelitos!

Há cerca de um mês  adquiri alguns volumes do manga Ao Haru Ride da mangaka Io Sakisaka. Contrariamente ao que possam pensar, este não é o meu primeiro contacto com esta autora/ilustradora nem com o manga em questão, no entanto, esta edição brasileira está ainda mais bonita que a original no que toca à apresentação/tamanho dos volumes.
Como poderão ver nas imagens abaixo estas edições são ligeiramente maiores que as japonesas/inglesas e as suas lombadas são muito mais bonitas (na minha opinião).



Io Sakisaka cujo trabalho nos maravilha simplesmente por estarmos a olhar para as imagens, atrevo-me mesmo a dizer que conseguiríamos quase adivinhar os diálogos a partir das mesmas. Há um cuidado por parte da autora em marcar bem as expressões de cada personagem, bem como a distribuição espacial e as interacções entre os diferentes personagens.
Ao longo dos volumes de Ao haru ride vamos conhecendo a história de Futaba e Kou que vão tropeçando um no outro em diferentes momentos da sua adolescência.
Achei interessante que a autora tivesse mostrado as alterações de personalidade, crescimento e maturação de cada um destes personagens que ao longo dos volumes se vão questionando sobre a forma como se devem sentir em relação um ao outro e ao que os rodeia.
Gostaria ainda de frisar que apesar deste manga se debruçar sobre os típicos dramas da adolescência e as suas consequências, não deixa de ser divertido e de proporcionar momentos de um certo conforto ao leitor. As emoções das personagens estão tão bem construídas que é impossível o leitor não criar uma relação de proximidade com todas, sendo elas as principais, favoritas ou até mesmo as que menos se gosta.
Volumes:

Relativamente ao 1º volume deste manga, há que dizer que se trata da introdução da história, desde a analepse até ao momento presente, nele temos a apresentação de quase todas as personagens, sendo que algumas estão apenas referidas ou comentadas pelo ponto de vista da Futaba que é a nossa narradora.
A minha edição vinha com um marcador que faz publicidade à publicação do manga de um lado e do outro mostra a lombada de cada volume.

No 2º volume preocupamo-nos mais em seguir a evolução do conceito amizade verdadeira versus amizade por conveniência. Quem já leu o manga entenderá o que quis dizer. Há um grande foco na aprendizagem de lições afetivas muitas vezes despoletada por coincidências, rumores ou uma abordagem mais rispida de personagem para personagem. Este volume deixa um pouco de lado o romance Futaba/Kou e deixa-nos vislumbrar um pouco das outras personagens secundárias que auxiliam e problematizam a relação de ambos como a Yuuri , a Murao, o Kominato e o irmão de Kou.
Ao longos dos dois volumes seguintes vamos sendo bombardeados com as constantes inseguranças da nossa protagonista em relação a tudo o que se passa na sua vida, nas suas relações e na sua rotina, acabando por entrar definitivamente no enredo da história e em todo aquele ambiente que Io Sakisaka nos vai apresentando a cada virar de página.
E sim novelitos, Ao haru ride segue quase todos os clichés que poderão espera encontrar num shoujo manga, mas a isso eu só tenho a dizer : " A ideia primordial alguém a teve, mas o importante é que cada autor/a que venha depois seja capaz de a desenvolver, dar-lhe forma e atribuir-lhe significado". Visto que Ao haru ride entra nesse grupo de cliché com sentido e bem desenvolvido, desculpem, mas vou afirmar-me uma viciada (saudável) nesta maravilhosa história de amor, amizade, auto conhecimento, drama e alguma palhaçada, afinal o que seria da vida sem uma pitada disto e daquilo? 

Personagens:

Poderia estar aqui a apresentar-vos todas as personagens, mas opto neste momento por transmitir-vos o que senti quando me confrontei com a sua presença e a sua movimentação ao longo da história.
A nossa protagonista Yoshioka Futaba  cria em mim um sentimento de incerteza, isto é, gosto bastante da sua presença e da sua personalidade porque se estivesse a ler o manga com 15-16 anos provavelmente me identificaria, em certos pontos, com ela, no entanto, acho que lhe falta uma certa noção de assertividade que lhe faz falta quando precisa de delinear o que precisa do que realmente é proveitoso e bom para si mesma, isto é, há uma constante procura para agradar ou desagradar porque simplesmente se quer integrar a todo o custo num grupo, penso que nos primeiros capítulos ela se encontra completamente desorientada porque está a adoptar uma postura que não é, de todo, a que gostaria ou naturalmente teria.
Contrariamente a algumas personagens quase figurantes e a muitas pessoas da blogoesfera e "otakuesfera" que pensam que a Makita Yuuri é uma personagem chatinha, falsa e que só está lá para empatar, eu considero-a uma personagem secundária bastante importante, não posso revelar concretamente o porquê desta minha afirmação, caso contrário estaria a dar um valente spoiler, mas posso dizer-vos que se calhar se ela fosse de outra forma não teríamos uma evolução tão drástica na personalidade da protagonista, afinal foi preciso a aparição e aproximação desta personagem para que a Futaba não tomasse por garantida a resolução do seu problema relacional e de comunicação com o Kou. Gosto bastante do paralelismo que existe entre a Yuuri e todos os outros estudantes, principalmente dentro da mesquinhice que pode ser uma turma de secundário semelhante às dos nosso dias.
A Shuko Murao pode ser a representação oposta da Futaba, aquela estudante que até é capaz de nos assustar porque anda sempre calada, fechada no seu mundo e constantemente sozinha, no entanto, acho interessante a aprendizagem que ela vai fazendo ao longo dos volumes que li, principalmente no que toca ao significado de amigo e de confiança entre pares, isto é, há uma evolução da socialização entre ela e os restantes personagens mantendo à margem e em segredo a sua paixão.
Aya Kominato é sem dúvida a personagem mais estranha, extrovertida e divertida de toda a história, tenho a sensação que o consigo ouvir a gritar eufórico de cada vez que o vejo retratado nesse tipo de acção, é o típico colega que quando chega faz questão de marcar a sua chegada, atrevo-me mesmo a pensar que a autora o construiu e passou para o papel para ter uma função balanceadora entre o drama e a comédia atribuindo a este shoujo uma estrutura mais dinâmica.
Deixei o Tanaka Kou para o fim de propósito, não só por ser o meu personagem favorito, mas também por marcar a sua posição de protagonista de uma forma ativa, isto é, este personagem gere intencionalmente a vida e o rumo da história a partir de si mesmo. Este personagem dá-me a sensação de que a sua transformação foi construída para puxar pelas emoções mais profundas de cada um dos outros intervenientes. Muita gente queixa-se que ele é quase bipolar, inclusive a protagonista, no entanto, eu gosto de o ver como alguém que se mascara para não se dar a conhecer, inclusive acho que se esforça tanto para provar que não é o mesmo que o seu subconsciente o leva a agir contrariamente ao que afirma e profetiza.
No fundo é preciso salientar que de um conjunto de pessoas tão diferentes e com tanto para aprender uns com os outros só poderiam sair duas coisas, um autêntico circo para deleite e diversão do leitor ou um exemplo perfeito de construção de amizades improváveis que se vão deixando complementar pelas adversidades e vitórias que vão alcançando.
Deixo-vos aqui uma imagem do anime que também está retratada no manga que ilustra bem o que acima referi:

Exemplos de páginas dos diferentes volumes (nota: as imagens não pertencem aos mesmos volumes apesar de estarem agrupadas 2 as 2):

Para não vos aborrecer muito fiz uma pequena montagem de algumas das páginas/momentos que mais gostei destes primeiros 4 volumes.


Como podem reparar a linha desta mangaka é extremamente limpa e o cuidado que tem em marcar as emoções nos rostos e movimentos de cada personagem é extrema. Gosto bastante deste estilo de ilustração e, pelo que li nas notinhas deixadas pela autora é dos que mais trabalho dá por causa do jogo de cores e tonalidades com o brilho que é pretendido para, por exemplo, criar o efeito que podem observar no cabelo do Kou. Ainda que o texto esteja claramente em Português do Brasil não tenho qualquer dificuldade em seguir a história ou sentido desconforto com o idioma.

Considerações Finais:

Após a releitura destes primeiros volumes posso dizer que Ao haru ride é um manga para qualquer idade e não se perde nada em dar-lhe uma oportunidade porque se aproxima muito de uma realidade que vivemos ou poderemos vir a viver (caso ainda não tenhamos passado por esta fase da parvalheira). A transmissão de valores e a constante preocupação em atribuir a todas situações um significado, solução ou reflexão permite uma visão global e mais introspectiva para o leitor porque o obriga a relembrar-se do seu passado ou a preparar-se para o futuro que se avizinha, afinal a articulação da realidade com a ficção permite-nos sempre ver de fora o que não conseguimos ver quando a situação se passa connosco.
Recomendo a 100% a leitura deste manga e a visualização do anime (se bem que o anime não me convenceu muito, mas se um dia quiserem também me posso debruçar sobre esse conteúdo noutro post) porque vão ter vontade de chorar, rir e de entrar para a vinheta só para ter o gosto de sentir na pele aquelas boas vibrações ou dar um valente par de estalos para que certos personagens acordem para a vida e deixem de empatar a história!
Mal posso esperar para ler o 5º volume, enquanto não o consigo parece-me que vou alinhar numa revisão do anime ou quiçá debruçar-me sobre outro manga desta autora.

Para finalizar vou deixar-vos aqui o poster e o video da opening do anime se tiverem curiosidade de ir espreitar :)



Ao haru ride
13 episódios






Até ao próximo post :p Boas leituras! Beijinho