Hoje é um dia triste, perdi uma das minhas melhores amigas e das mais antigas.
 No espaço de 1 ano já perdi 2 cães, para muita gente trata-se apenas de mais um ser vivo que vai e a resposta mais ouvida é sempre " Antes ele do que eu", mas para quem viveu diariamente e teve a honra de partilhar cada vitória ou derrota com eles sabe bem que além de ser um animal é também parte integrante de uma família, neste caso, da minha família.
O argumento da velhice não chega para que o nosso coração aceite que aquela pestinha que nos tende a chatear ou sujar porque simplesmente espera que brinques com ela ou lhe ofereças a mão para receber mimo não vai voltar, não a vamos voltar a ver, não vamos poder tocar, cheirar, acarinhar.
Faz falta, mói-nos os ossos, o coração, corrói a alma.
É mais um pedaço de Ti que vai, como tantos outros que a vida, injustamente, te vai tirar.
É também nestas alturas que começamos a reviver na nossa cabeça cada momento em que estiveram lá para nos apoiar, sem palavras, sem julgamentos, só com uma pata para "cutucar" ou um aconchego para nos fazer sentir melhor.
Dói, queremos acreditar que deixam de sofrer ou que vão para um lugar melhor, mas na realidade queríamos era que ficassem mais um pouco, talvez para sempre.
Estimem os vossos animais, não os tomem por garantidos e acima de tudo aproveitem até ao último dia para retribuir cada feito, cada gesto, cada abanar de cauda com que vos presentear simplesmente porque vos viram porque eles não precisam de muito, não pedem muito, não exigem nada, mas merecem tudo o que seja possível dar-lhes.

"You'll always be in my heart"

Opinião - "Onde o desejo se esconde" de Nora Roberts

Boa Tarde Novelitos :p

Depois de uma pequena ausência de opiniões, venho dizer-vos o que achei deste livrinho :)




Edição/reimpressão:2015
Páginas: 288
Editor: Edições Chá das Cinco
ISBN: 9789897101694


Sinopse
Amor, crime e luxúria combinam-se num romance misterioso perfumado de flores de cerejeira.
Depois de uma digressão esgotante para promover o seu novo livro, a célebre romancista de policiais Grace McCabe decide visitar a sua irmã, Kathleen, que se encontra angustiada com um divórcio litigioso. Ao chegar a Washington, Grace fica chocada ao ver que a irmã vive num bairro miserável e, para poder pagar um bom advogado, complementa o magro salário de professora trabalhando à noite como telefonista erótica.
De acordo com Kathleen, a Fantasy Inc. garante anonimato absoluto às suas empregadas. Mas Grace tem as suas dúvidas, que são confirmadas quando uma das telefonistas é assassinada numa noite perfumada de flores de cerejeira. À medida que Grace se envolve para ajudar a resolver o crime, a sua vida transforma-se no enredo de um dos seus livros.
Ed Jackson, o detetive responsável pelo caso e fã incondicional dos seus livros, avisa-a: isto não é ficção, estão a morrer pessoas e Grace pode ser a próxima vítima. Mas ela está decidida a apanhar aquele assassino muito mais perverso do que os que criou no papel. E nem Ed poderá protegê-la de um encontro com a luxúria e a morte.
Sobre a autora:

Nora Roberts é considerada um verdadeiro fenómeno editorial. Desde o dia em que começou a escrever histórias a lápis, o sucesso nunca mais a largou. Muitos dos seus mais de 150 livros foram já adaptados ao cinema e estão traduzidos em cerca de 26 idiomas. 
Com mais de 250 milhões de cópias dos seus livros impressas e mais de 100 livros na lista do New York Times até à data, Nora Roberts é indiscutivelmente a escritora de ficção feminina mais célebre e amada dos dias de hoje.
Opinião:
Escrever sobre o trabalho de Nora Roberts é sempre um desafio gigantesco, afinal estamos perante uma das maiores romancistas dos nossos tempos e, sendo eu apenas uma recente leitora das suas obras torna-se ligeiramente complicado expor por palavras aquilo que esta senhora me transmite ao longo das suas narrativas.

Gostaria de começar por dizer que a estética ligada ao grafismo da composição do livro e da sua capa me agradou bastante, adorei os tons utilizados e a mistura imagética e padronal que a editora escolheu.

Ao longo de toda a narrativa somos confrontados com problemas aos quais nem sempre damos o devido valor, como por exemplo, a entrada de um estranho na vida de uma personagem que a pode prejudicar por não compreende que aquilo que lhe foi oferecido não é mais que uma simples fantasia.
As personagens são apresentadas, como sempre, com personalidades fortes e uma ligeira transparência que permite ao leitor compreendê-las e acabar por simpatizar com elas, mesmo que por vezes possam ser irritantes e com uma ligeira tendência a ser demasiado indecisas.
A autora continua a presentear os seus leitores com bons mistérios, carregados de energia, momentos de tensão e de puro divertimento que, aliados à sua escrita fluída e ritmada fazem com que o leitor não consiga pousar o livro até levantar todo o pano da narrativa.
"Onde o desejo se esconde" é um livro para se ler num fôlego e ficar a ansiar pelo próximo para voltar a respirar.


Banda sonora da leitura:








Coragem, estás quase lá, já faltou mais, já te custou a pele mas ainda te sobram as ossadas, é só mais um pouco.
Puxa o fio, dá-te corda, encontra o teu ritmo, atravessa o espelho, vem para o lado de cá...
É falta de movimento que te deixa confusa, não porque assim o quiseste, mas porque te obrigaram a parar, relaxa, foi só uma operação de STOP, já viste tantas, nunca te pedem a documentação, mas levam-te sempre alguma coisa, tratam-te como um expositor, enquanto houver conteúdo haverá sempre o cliente sedento, afinal sempre te disseram que tinhas algo que precisavas de proteger antes que se dessem conta e te esmagassem.
Tens sempre os olhos na estrada, fazes um desvio inesperado, sentes a batida da música que te invade os ouvidos, tentas desligar o rádio, mas é tarde demais, ela entrou-te pelo ouvido e agora dança em torno do teu cérebro. É aqui, apercebes-te que chegaste ao ponto sem retorno, enfaixaste-te na vedação, estilhaçaste uma das tuas barreiras. Bolas, essa doeu!
Entras em pânico, vês o sangue sair-te do corpo enquanto procuras uma forma de estancar, precisas que essa vida permaneça em ti, estás habituada a essa corrente, a esse bombear celular e estrutural que constitui o trânsito que entope o teu interior.
Já está, parou, vai renovar-se, tal como Tu também te vais renovar, vais atrair atenções, sofreste mais uma operação, aquela que te acrescenta mais uma cicatriz, como se já não fossem suficientes. sorris, para nada, enquanto esperas que o tudo te venha buscar, mas será que ainda te quer depois da metamorfose a que te submeteste?
Observas pelo lado de dentro da vidraça, tocas o vidro, queres-te fundir com ele, mas já não podes, viram-te e vêm buscar-te, recuas um passo, dois...vais para o terceiro mas alguém te segura pelo antebraço, não tens força, não queres ter, mas devias...
Fixas um ponto, não gostas do que vês, esbracejas, queres gritar, mas estás muda, e agora?
Enches o peito de ar, bates com o pé, imaginas a voz que não quer sair, concretizas o desejo, e é aí que gritas...de pulmão cheio e de garganta aberta, largam-te e é aí que te apercebes que estás a perder os sentidos...
Acordas sozinha, deitada na mesma cama em que te encontravas a escrever este mesmo texto...
Coragem...era isso que te faltava...