É neste fio da navalha que retomo a minha ode, presa na corda bamba de uma dimensão que não é minha.
Restauro as minhas forças, levanto as minhas muralhas, equilibro, páro, recomeço, cambaleio e vou dançando na fragilidade do meu corpo cansado.
É tarde, eu sei, mas tinha de ser, é esta capacidade infrutífera de deixar deslizar a areia por entre os dedos que me mantém aqui, de frente, enfrentando a passagem interminável de névoas sem rosto que vai desgastando a rede de protecção que me impede de deslizar com os grãos de areia.
Teimo em respirar, em libertar suspiros e agonias que me tornam humana, penetrável e visível ainda que eu não o queira.
Preciso de uma nova desculpa para permanecer equilibrada na pedra que carrego no peito enquanto assisto a mais um capitulo repetido.
Sou o que quero ser, não o que pensam puder ver, mascaro-me na minha solidão e na mágoa que até hoje não me deixaram ficar mal, antes pelo contrário, salvaram de falhas que podiam ser mortais, não para o corpo, mas para a alma.
Pé ante pé vou caminhando, a medo, com o tremelicar da musculatura quase inexistente, sou forte demais quando estou no escuro, debaixo do holofote encolho-me como se cada poro se contorcesse com a alergia provocada pelo olhar, pelo toque ou pelo som que se aproxima das minhas terminações nervosas.
Tento manter a postura, cabeça erguida, nariz no ar, altiva, inalcansável, mas acabo por sentir cada esfarelar da minha máscara.
Não consigo andar de peito aberto quando há tão pouco para guardar lá dentro, não consigo ser transparente quando me sinto tão negra que me começo a confundir com a minha própria sombra, mas também não vou deixar que me voltem a ver cair e engane-se quem pagou o bilhete para me ver escorregar e morrer no meio da arena, não vou sem luta nem permito que me obriguem a dar o passo para o cadafalso.


Opinião - Esquiço de Elsa Graça

Como é do conhecimento de quem já me segue há algum tempinho, consegui recentemente duas parcerias para o blogue e do resultado de uma dessas parcerias chegou cá a casa um livrinho mimoso e cheio de segredos oferecido pela Chiado Editora. Hoje venho dar-vos a conhecer esse livro e a minha opinião após a sua leitura :)



Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 120
Editor: Chiado Editora
ISBN: 9789895131358
Coleção: Viagens na Ficção

Sinopse
…Não mais haverá um tempo que se encontre comigo e eu deixe ir incólume, nunca mais. Agora, logo que o encontro vivo-o, consumo-o e quando ele quer ir, deixo… Mas comigo ficou a alma, o poder de fazer mais uma ruga, uma artrose, mas eu preciso deste tempo. Se não o consumir a minha vida vai-se, perde sentido, e o tempo aborrece-se de mim e parte de mim para outro.
…A idade traz a forma veemente de se fazer ouvir alto quando se fala baixo.
…Morte? Desconheço-a. Mas, como os dias e as noites que se sucedem, assim a vida e morte são uma só. Também desconheço a vida e não a temo. A morte será mais um passo, mais um dia ou uma noite.
…Comecei a pensar na minha verdade, que deixou de ser suficiente. Das pessoas que me rodeavam, tinham todas a sua verdade, que defendiam como damas, e achei que a minha verdade era incompatível com as demais. O que fazer perante verdade absolutas e indesmentíveis, mas incompatíveis?
…Ela cumprimentou-me, afável. Imagine-se, como pode Ela ser afável aos olhos de um ser humano? Ela petrifica-nos.
…Sem mim não te darias conta que tens que agir, tens que interagir, tens que procurar, justificar a tua existência, se quiseres ser mais do que… uma alface.
O tempo começou por me aterrorizar. Como usá-lo ou não usá-lo. Chegar ao final do dia perguntava: Vivi? Vivi como eu quis, ou apenas fiz qualquer coisa?
Aqui o Tempo, O medo, a Liberdade e a Vontade assumem o seu lugar.
No final digo: Vale a pena…
Opinião:
Quando recebi este livro e parei para ler o seu titulo pensei que seria mais um romance, no entanto, optei por abri-lo completamente às escuras, não li a sinopse, quis ser surpreendida, afinal o livro veio cá parar sem ser pedido porque não dar-lhe uma oportunidade livre do preconceito de já saber de antemão o que poderá acontecer? Foi o que fiz e sinceramente não me arrependo.
Ao longo da leitura fui-me apercebendo de que esta narrativa não era para ser folheada de ânimo leve, havia sempre um ponto para reflectir e uma noção a reter, no fundo quero acreditar que a ideia central do livro era fazer o leitor pensar sobre os desperdícios e oportunidades com que diariamente se vê confrontado e muitas vezes nem se apercebe.
O livro é uma metáfora cuidadosamente engendrada que permite que o leitor assista a uma maturação do narrador e da sua visão sobre as coisas que o rodeiam. Há o cuidado de frisar que o tempo é efémero e, por isso, deve ser aproveitado sem grandes correrias porque é no meio dessas correrias que perdemos o mais importante, a oportunidade de viver e viver com qualidade.
A necessidade do narrador em transmitir todos os conhecimentos e experiência que vai adquirindo ao longo da sua viagem introspectiva reflecte-se na existência de personagens que meramente existem para obrigarem a narrativa a desenrolar-se de uma forma educacional para ambas as partes, a que escreve e a que lê.
No fundo creio que o livro se trata de um amealhado de lições que a autora conseguiu aprender ao longo da sua vida e que, de certa forma, as quer partilhar com os seus leitores antes de também eles chegarem ao ponto de se preocupar com o envelhecimento e com o tempo que ainda resta para viver. Os medos tornam-se apenas letras nas palavras e o passado apenas parte do futuro que um dia chegará e se lembrará que em algum momento foi ali que esteve e foi ali que começou, do nada passando pelo tudo e voltando ao nada quando a morte abarcar o ser vivo.
Foi um livro desafiante, devo dizer que não estou habituada a este tipo de livro e que ao início me causou alguma dor de cabeça até que por fim consegui entrar e realmente aproveitar a sua essência. 
Para quem gosta de ler e reflectir sobre o que está a ler enquanto se questiona sobre a vida e a sua efemeridade, tantas vezes desperdiçada com coisas banais, este é o livro ideal, bem escrito, bem contado e muito leve porque é do narrador para o leitor, da primeira pessoa para o exterior do livro, é pessoal, transmissível, mas acima de tudo meditativo.
Quero frisar ainda que este livro não é apenas composto por prosa, mas também poesia bem como alguns excertos de músicas conhecidas que nos transportam para outro nível interpretativo e completivo que em tudo torna a leitura bem mais interessante e fluída.

E como costume deixo-vos com uma música que redescobri enquanto pesquisava uma música referida no livro, e que acompanhou a minha leitura desde então.

Passatempo #2 - Emoções Proibidas de Jess Michaels

Boa noite meus novelitos :)
Como forma de agradecimento pela presença e pelo acompanhamento, mas também para comemorar o Dia Mundial do Livro (que se celebra amanhã e eu não sei se terei tempo de passar por cá) venho deixar-vos o 2º passatempo do blogue Emaranhado de Palavras :)

Desta vez tenho para vos oferecer um exemplar do livro "Emoções Proibidas" da autora Jess Michaels, podem saber mais sobre o livro aqui.

Regras do passatempo:
- Ser Seguidor do Blogue (em modo público, caso contrário não posso validar a participação porque não consigo ver se estão a seguir);
- Partilhar o passatempo publicamente numa rede social;
- Podem participar 1 vez por dia desde que realizem todos os passos descritos nas regras e preencham o formulário corretamente;
- Passatempo válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza por extravio após o envio do prémio;
- O vencedor será contactado via email para confirmação dos dados e tem 3 dias úteis para reclamar o prémio, caso contrário será efectuado outro sorteio;
- O vencedor será apurado via random.org
- O passatempo termina às 23.59 do dia 12 de Maio de 2015

As respostas podem ser encontradas aqui 


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Boa Sorte :p