Opinião - Esquiço de Elsa Graça

Como é do conhecimento de quem já me segue há algum tempinho, consegui recentemente duas parcerias para o blogue e do resultado de uma dessas parcerias chegou cá a casa um livrinho mimoso e cheio de segredos oferecido pela Chiado Editora. Hoje venho dar-vos a conhecer esse livro e a minha opinião após a sua leitura :)



Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 120
Editor: Chiado Editora
ISBN: 9789895131358
Coleção: Viagens na Ficção

Sinopse
…Não mais haverá um tempo que se encontre comigo e eu deixe ir incólume, nunca mais. Agora, logo que o encontro vivo-o, consumo-o e quando ele quer ir, deixo… Mas comigo ficou a alma, o poder de fazer mais uma ruga, uma artrose, mas eu preciso deste tempo. Se não o consumir a minha vida vai-se, perde sentido, e o tempo aborrece-se de mim e parte de mim para outro.
…A idade traz a forma veemente de se fazer ouvir alto quando se fala baixo.
…Morte? Desconheço-a. Mas, como os dias e as noites que se sucedem, assim a vida e morte são uma só. Também desconheço a vida e não a temo. A morte será mais um passo, mais um dia ou uma noite.
…Comecei a pensar na minha verdade, que deixou de ser suficiente. Das pessoas que me rodeavam, tinham todas a sua verdade, que defendiam como damas, e achei que a minha verdade era incompatível com as demais. O que fazer perante verdade absolutas e indesmentíveis, mas incompatíveis?
…Ela cumprimentou-me, afável. Imagine-se, como pode Ela ser afável aos olhos de um ser humano? Ela petrifica-nos.
…Sem mim não te darias conta que tens que agir, tens que interagir, tens que procurar, justificar a tua existência, se quiseres ser mais do que… uma alface.
O tempo começou por me aterrorizar. Como usá-lo ou não usá-lo. Chegar ao final do dia perguntava: Vivi? Vivi como eu quis, ou apenas fiz qualquer coisa?
Aqui o Tempo, O medo, a Liberdade e a Vontade assumem o seu lugar.
No final digo: Vale a pena…
Opinião:
Quando recebi este livro e parei para ler o seu titulo pensei que seria mais um romance, no entanto, optei por abri-lo completamente às escuras, não li a sinopse, quis ser surpreendida, afinal o livro veio cá parar sem ser pedido porque não dar-lhe uma oportunidade livre do preconceito de já saber de antemão o que poderá acontecer? Foi o que fiz e sinceramente não me arrependo.
Ao longo da leitura fui-me apercebendo de que esta narrativa não era para ser folheada de ânimo leve, havia sempre um ponto para reflectir e uma noção a reter, no fundo quero acreditar que a ideia central do livro era fazer o leitor pensar sobre os desperdícios e oportunidades com que diariamente se vê confrontado e muitas vezes nem se apercebe.
O livro é uma metáfora cuidadosamente engendrada que permite que o leitor assista a uma maturação do narrador e da sua visão sobre as coisas que o rodeiam. Há o cuidado de frisar que o tempo é efémero e, por isso, deve ser aproveitado sem grandes correrias porque é no meio dessas correrias que perdemos o mais importante, a oportunidade de viver e viver com qualidade.
A necessidade do narrador em transmitir todos os conhecimentos e experiência que vai adquirindo ao longo da sua viagem introspectiva reflecte-se na existência de personagens que meramente existem para obrigarem a narrativa a desenrolar-se de uma forma educacional para ambas as partes, a que escreve e a que lê.
No fundo creio que o livro se trata de um amealhado de lições que a autora conseguiu aprender ao longo da sua vida e que, de certa forma, as quer partilhar com os seus leitores antes de também eles chegarem ao ponto de se preocupar com o envelhecimento e com o tempo que ainda resta para viver. Os medos tornam-se apenas letras nas palavras e o passado apenas parte do futuro que um dia chegará e se lembrará que em algum momento foi ali que esteve e foi ali que começou, do nada passando pelo tudo e voltando ao nada quando a morte abarcar o ser vivo.
Foi um livro desafiante, devo dizer que não estou habituada a este tipo de livro e que ao início me causou alguma dor de cabeça até que por fim consegui entrar e realmente aproveitar a sua essência. 
Para quem gosta de ler e reflectir sobre o que está a ler enquanto se questiona sobre a vida e a sua efemeridade, tantas vezes desperdiçada com coisas banais, este é o livro ideal, bem escrito, bem contado e muito leve porque é do narrador para o leitor, da primeira pessoa para o exterior do livro, é pessoal, transmissível, mas acima de tudo meditativo.
Quero frisar ainda que este livro não é apenas composto por prosa, mas também poesia bem como alguns excertos de músicas conhecidas que nos transportam para outro nível interpretativo e completivo que em tudo torna a leitura bem mais interessante e fluída.

E como costume deixo-vos com uma música que redescobri enquanto pesquisava uma música referida no livro, e que acompanhou a minha leitura desde então.

Passatempo #2 - Emoções Proibidas de Jess Michaels

Boa noite meus novelitos :)
Como forma de agradecimento pela presença e pelo acompanhamento, mas também para comemorar o Dia Mundial do Livro (que se celebra amanhã e eu não sei se terei tempo de passar por cá) venho deixar-vos o 2º passatempo do blogue Emaranhado de Palavras :)

Desta vez tenho para vos oferecer um exemplar do livro "Emoções Proibidas" da autora Jess Michaels, podem saber mais sobre o livro aqui.

Regras do passatempo:
- Ser Seguidor do Blogue (em modo público, caso contrário não posso validar a participação porque não consigo ver se estão a seguir);
- Partilhar o passatempo publicamente numa rede social;
- Podem participar 1 vez por dia desde que realizem todos os passos descritos nas regras e preencham o formulário corretamente;
- Passatempo válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza por extravio após o envio do prémio;
- O vencedor será contactado via email para confirmação dos dados e tem 3 dias úteis para reclamar o prémio, caso contrário será efectuado outro sorteio;
- O vencedor será apurado via random.org
- O passatempo termina às 23.59 do dia 12 de Maio de 2015

As respostas podem ser encontradas aqui 


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Boa Sorte :p

Opinião - Uma Semana Para Te Amar de Monica Murphy

Boa noite Novelitos :)

As férias estão quase a acabar, mas ainda tenho tempo de vos deixar mais uma opinião antes de começar a confusão associada ao meu percurso universitário.



Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 208
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898626554


Sinopse
Temporária. É a palavra que melhor descreve a minha vida nos últimos anos. Sou a mãe temporária do meu irmão mais novo, já que, aparentemente, a nossa mãe não quer saber de nós. Tenho um trabalho temporário num bar, pelo menos até conseguir arranjar outra coisa. E sou a namorada temporária que todos os rapazes querem ter, porque me deixo seduzir facilmente. Ou, pelo menos, é o que dizem os rumores.
Sou neste momento a namorada temporária do Drew Callahan, lenda da equipa de futebol da universidade e de quem toda a gente gosta. Ele precisava de alguém que fingisse ser sua namorada durante uma semana. Em troca de dinheiro. Muito dinheiro.
Levou-me para o seu mundo falso, onde toda a gente me detesta e onde toda a gente quer alguma coisa dele. Mas a única coisa que o Drew parece querer sou eu.
Já não sei em que acreditar. Tudo o que eu sei é que o Drew parece precisar muito de mim. E eu quero estar lá para ele. Para sempre.
Se estiverem com curiosidade a Topseller disponibiliza os primeiros capítulos aqui.
Sobre a autora:
Monica Murphy é uma autora norte-americana cuja coleção de livros intituladaOne Week Girlfriend Quartet já é bestseller do New York Times e do USA Today. Uma Semana para te Amar é o primeiro título desta série. Escreve ficção para jovens adultos, além de romances contemporâneos. Vive com o marido e os três filhos no sopé das montanhas de Yosemite, na Califórnia. Adora livros e acha que tem o melhor trabalho do mundo

Opinião
Este foi daqueles livros que não amei à primeira leitura, aliás pousei-o, não sei porquê, talvez o tivesse folheado num momento errado da minha vida ou quem sabe simplesmente porque não estava virada para o tipo de personalidade que encontrei em cada um dos protagonistas.
Nesta minha segunda tentativa, já encontrei dentro de mim a capacidade de deixar passar algumas páginas para me ambientar e no final devorar, sim devorar, apesar do seu início lento (não no sentido de acontecimento- acção, mas no sentido de tentarem enrolar o mais que podem até que por fim se lembram que chegaram à casa do pai de Drew) a narrativa vai ficando mais suave e divertida.
Cá entre nós que ninguém nos “ouve”, sempre achei que este tipo de relação ia acabar por se tornar chata e previsível, aliás pareceu um fogo extinto antes mesmo de ter oportunidade de se formar uma linda chama incandescente, no entanto, e para não variar nem um bocadinho a autora conseguiu dar a volta ao tédio e conseguiu, sem recorrer a grandes mimimis e romantismo fabular, criar um romance ternurento cimentado numa amizade improvável que o leitor tem o prazer de ver florescer a cada fragmento de história.
Já sei que querem que fale da capa, quer dizer não querem, mas estão habituados a que faça uma pequena referência, portanto cá vai ela, Cor-de-rosa, sim, uma capa detalhada e emoldurada a cor-de-rosa com um casal aparentemente apaixonado a ser emoldurado por esta cor tão romântica. Não gosto de cor-de-rosa, no entanto, encaixou no género literário, naquilo que me pareceu ser suposto ser transmitido ao leitor, ou seja, o mundo não é cor-de-rosa a menos que nos esforcemos para que o seja.
Ao longo da narrativa vamos conhecendo as personagens principais a partir do seu interior, dos seus medos, dos seus receios e de todas as provas que vão ultrapassando, achei que foi inteligente juntar as perspectivas de ambos sobre os mesmos assuntos ou como ponte entre acontecimentos que não estão centrados na sua actividade enquanto casal fingido.
Tudo começa com uma farsa que aparentemente pretende, por um lado, calar os rumores e macaquinhos do sótão que o pai de Drew criou em torno do seu filho e por outro, ajudar a família de Fable que esta tanto se esforça para manter fora da ruína nem que isso lhe custe a reputação que constantemente vê manchada.
Ambas as personagens apresentam um cariz bastante forte, estão bem construídas e apresentam-se como elementos mutáveis que vão adquirindo consciência e aperfeiçoando as suas qualidades à medida que são confrontadas com situações que se encontram fora da sua zona de conforto.
 A título de curiosidade gostaria de salientar que adorei a maior parte das citações que iniciavam cada capítulo, a representação de obras como Romeu e Julieta de William Shakespeare numa obra narrada sobre o domínio do amor foi simplesmente deliciosa e acima de tudo inteligente. A articulação literária entre obras e pequenos fragmentos das mesmas tornou o livro interessante, desafiante (porque sabemos que aquela pequena frase fará algum sentido ao longo do capitulo ou no seu final) e apaixonante.
“Uma semana para te amar” tornou-se um dos livros mais intensos e divertidos do ano de 2014 (apesar de o ter lido em 2015) e mal posso esperar para ler a sua continuação. Recomendo, pesquisem, desfrutem, guardem para vocês, mas também partilhem com o mundo. O amor merece ser partilhado, independentemente da sua origem porque até mesmo um amor a fingir se pode tornar na paixão mais intensa e arrebatadora que pode ser capaz de nos dilacerar o coração ou simplesmente deliciar.

Como não podia deixar de ser cá fica a banda sonora:






Sejam felizes, partilhem o amor e até ao próximo post :)