Virtuosa é a sensação de preenchimento e retalhamento assertivo, relembrando porém, que nem sempre é possível obter a mistura homogénea que universalmente brota da nossas entranhas. Sinto que não sinto a leveza de uma pluma a limpar a minha ensurdecedora existência que se estilhaça à medida que a respiração se torna mais compassada.
A verdade é que a corrosão está a envenenar a possível tentativa de resolução do quebra cabeças que este pedaço de barro, cuidadosamente moldado à forma de uma contradição por algo que ,estupidamente, é tão comum como carne e osso e tão facilmente esmagável como a migalha de pão, ainda se dá ao trabalho de reescrever.
Sinto a nudez de uma pele sem cuidado que começa a deixar aumentar as suas fendas, o tempo faz que passa e a imagem já massa, escarnecida, parece, e no entanto está tão mimosa, qual base que se passa e apaga a imperfeição. Sou um enjeito que sem jeito se reconstrói  na esperança de um pouco de paz, ainda que a emissão de qualquer tratado não seja ofertado. 
Começo a sentir a fragilidade das pequenas coisas e o ressoar dos ecos da memória que empalidece a minha face e confunde a minha mente.
Reconheceria facilmente cada um dos meus pecados, cada uma das minhas falhas e cada um dos meus defeitos, referindo-me a eles sem dor, pudor ou sensibilidade, sou crua, desprovida de vergonha de me mostrar tal e qual como me fui completando ainda que tremendamente incompleta.
Vejo pelos restolhos abertos nas vossas veias, assisto de primeira fila à vossa redenção e aplaudo a vossa cobardia, pudesse eu, ser esse pedaço de algo, que preferia ser nada, medíocre e sem vida, não invejo, não me apetece dar-me ao trabalho de recolher ódios e invejas de um egoísmo atroz que só soube servir-se do que era, do que passou e do que pensaram controlar.
Revejo-me em vós, nessa carnificina de ideias que vos escurece o olhar e vos mancha as mãos de sangue inocente, vertido das mentes e corações daqueles que pisaram, repisaram e pensam que ainda podem pisar. Tolos! Rio-me a pulmões da vossa insanidade que se torna completamente ridícula quando comparada com a minha, esta loucura que me abraça e me acompanha sem nunca se tentar desfazer de mim ainda que me tire um pouco de seriedade à medida que se apodera do pouco que resta do ser inocente que encontrou.
Mentiria se dissesse que não me apetece cuspir na vossa autoridade e na vossa tentativa vã de parecerem mais que eu quando no fim são apenas vermes que empestam a vida daqueles que têm a infelicidade de vos apanhar pelo caminho, por isso, sim cuspiria e esmagaria.
Sou aquela que fica enraizada a este local por vontade própria e sem medo da solidão, e vocês? Poderão dizer o mesmo? Desafio-vos a pensar no assunto e até à chegada da conclusão, espero que não se sintam demasiado absorvidos por essa podridão que infelizmente já faz parte de vós. Bem haja e que a bonança chegue.

Estou de volta, pensei e repensei até que encontrei a triste conclusão de que preciso disto, não de alguém para ler, mas de algo para escrever.
O relógio marca o tempo, o calendário o dia e a vida o momento, é chegado o drástico renascer daquilo que até então deixei fluir das pontas do dedos para o vazio, está na hora, de remexer e reescrever a minha vida.
São fases, dizem uns, não faz sentido, dizem outros, às vezes ainda me pergunto como dou ouvidos a velhos do Restelo, já sou pessimista que chegue, não preciso de âncoras que me afundem mais, estou cansada, cansada de me desfazer porque não me conseguem aceitar pelo que sou, pelo que gosto, pelo que me corre nas veias. Sou uma louca previamente e cuidadosamente adormecida na ânsia de sentir alguma coisa, estou cheia de me sentir, assim, vazia, desprovida de algum prazer que as palavras tão bem me sabem sentir.
A vida é demasiado curta para a perdermos com baixarias, com afastamentos e com a estupidez alheia, é que hoje somos imparáveis, amanhã, somos uma poeira que entra e arranha os olhos dos outros ou se entranha nas suas narinas com o propósito de transformar e tornar-los mais parecidos connosco, é um erro, um grande erro, pensamos que somos impenetráveis até o dia que nos desfazem e no final só resta isso, um punhado de pó que mancha até que é lavado pelas águas da mudança.






Há certas coisas que levam o seu tempo até serem encaradas da forma correcta ou entendidas por nós, muitas vezes nem nos apercebemos do que perdemos quando tomamos algumas decisões, estive perdida durante um tempo, tempo esse que agora me pareceu longo demais, como pôde ser tão estúpida ao ponto de ficar tanto tempo longe de Ti?
Se calhar perguntas o mesmo...não sei...mas certo é que me completas, toda Tu e toda Eu, nos completamos num Universo que apenas as duas compreendemos...chega até a ser irritante a facilidade com que completas os meus raciocinios ou as minhas frases, mas sabe bem. Sabe bem saber que apesar de tudo, de toda a loucura que passa pelas nossas cabeças existe pelo menos uma pessoa no Mundo que nos entende. Conheces-me como a palma da tua mão, já perdemos conta ao tempo, risadas e momentos que compartilhamos mas sabes o que mais gostava de sentir agora? O teu abraço, forte, apertado e prolongado, precisava disso sabes? Gostava de ser capaz de transpor o telemóvel ou até mesmo o computador, estar aí, para ti, para mim, para nós, queria ver-te sorrir e rir tal e qual a forma como eu imagino, queria partilhar um gelado contigo, mandar um bitaite a um moço jeitoso contigo, gargalhar rua fora e arranhar a garganta de algumas parolas que nós cá sabemos. Queria...quero...e vou ter, mais cedo ou mais tarde, eu sei que sim, sinto que esta amizade ( embora outrora esquecida) tem muito para dar, demasiado para viver e ainda mais para florescer, somos diferentes, temos uma maneira particular de avaliar e debater as coisas, somos nós, no fundo que fazemos a vida uma da outra girar, uma compreensão que nasce a cada letra, um entendimento quase ilusório que só as duas compartilhamos. Somos duas, mas podiamos ser uma, mas já que não é possível, epa...pelo menos que caminhemos nesta merda de vida de mão dada...

Obrigada pela presença constante, pela risada, pela música mas acima de tudo obrigada por me teres deixado conhecer e querer proteger a pessoa maravilhosa que és :)

Adoro-te