[Fictício - 12 de Outubro de 2015 - 00.54]


Olho para Ti, o reverso a minha moeda, o reflexo da minha insistente repulsa, desenrolo-te tal como novelo, fio por fio, fibra por fibra enquanto sinto a aspereza na minha pele nua.
Pertences aqui ainda que Te refaças incompleto na neblina que Te invade a mente.
Reduzo-Te a uma solução vítrea que me fere a carne e me escarnece a alma. 
Tornaste-Te no refluxo que me toma a boca, azedo, provo-Te como fel e ando a digerir-Te como mel.
Sucumbi..Shh...Deixa soar o zumbido, a interferência que me impede de olhar para trás e recordar.
Plastifica o som, diminui o volume, mistifica a melodia e canta, limpa a dor que Te percorre o corpo, deixa doer, electriza-Te e enfaixa-Te, compacta, remexe, encontra o Teu ponto na intermitência que Te rodeia, não Te ofereças como moeda de troca, não Te apagues, não Te rebaixes, mistura-Te.
Não Te quero assim...
Não quando o mundo é pequeno demais para Te tomar, não quando o ar é pesado demais para encheres os pulmões e gritar...mas não grites...é esse vibrar de tímpano que eu não quero sentir...não, não quero sentir esse arrepio nem ter vontade de agir.
Mato um, matei dois...não quero esse pesar...não Te quero...Quero-Te..Raios já disse que não quero...

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