É neste sopé desvirtuoso que me encho de Ti, reescrevo-Te nas ondas curvilíneas da montanha que conheceu o nosso amor, reencontro-Te em todas as viragens do caudal de água viva que me sacia esta sede de querer sem Te ter.
Ainda consigo mapear as imperfeições que o teu corpo me ensinou a desenhar, pela ponta dos dedos consigo traçar cada rascunho Teu, no embaçar do vidro, na areia desnivelada e no meu coração esmurrado, dói, tornar-me pedra por Ti, dói…ainda que aparente não mistificar a mudança de vida que instauraste ao desaparecer…
As estações vão passando e eu posso senti-las, mas não posso vê-las, tiraste-me o espelho do mundo, tal como me tiraste o espelho de mim mesma, de Ti, de nós…
Pudesse eu ver o céu e conseguir voltar a ver-te refletida no espelho que decorou a minha expressão enquanto havia tempo, partiste enquanto a minha vida se escureceu…Quem és tu? Como estás? Será que ainda te vão reconhecer quando já nem tu te consegues embonecar?

Estás a deixar sangrar, partiste o emoldurar do teu reflexo…Deixa sangrar, eu irei contigo, desta vez, não ficarei para trás…

Sem comentários:

Enviar um comentário