Coragem, estás quase lá, já faltou mais, já te custou a pele mas ainda te sobram as ossadas, é só mais um pouco.
Puxa o fio, dá-te corda, encontra o teu ritmo, atravessa o espelho, vem para o lado de cá...
É falta de movimento que te deixa confusa, não porque assim o quiseste, mas porque te obrigaram a parar, relaxa, foi só uma operação de STOP, já viste tantas, nunca te pedem a documentação, mas levam-te sempre alguma coisa, tratam-te como um expositor, enquanto houver conteúdo haverá sempre o cliente sedento, afinal sempre te disseram que tinhas algo que precisavas de proteger antes que se dessem conta e te esmagassem.
Tens sempre os olhos na estrada, fazes um desvio inesperado, sentes a batida da música que te invade os ouvidos, tentas desligar o rádio, mas é tarde demais, ela entrou-te pelo ouvido e agora dança em torno do teu cérebro. É aqui, apercebes-te que chegaste ao ponto sem retorno, enfaixaste-te na vedação, estilhaçaste uma das tuas barreiras. Bolas, essa doeu!
Entras em pânico, vês o sangue sair-te do corpo enquanto procuras uma forma de estancar, precisas que essa vida permaneça em ti, estás habituada a essa corrente, a esse bombear celular e estrutural que constitui o trânsito que entope o teu interior.
Já está, parou, vai renovar-se, tal como Tu também te vais renovar, vais atrair atenções, sofreste mais uma operação, aquela que te acrescenta mais uma cicatriz, como se já não fossem suficientes. sorris, para nada, enquanto esperas que o tudo te venha buscar, mas será que ainda te quer depois da metamorfose a que te submeteste?
Observas pelo lado de dentro da vidraça, tocas o vidro, queres-te fundir com ele, mas já não podes, viram-te e vêm buscar-te, recuas um passo, dois...vais para o terceiro mas alguém te segura pelo antebraço, não tens força, não queres ter, mas devias...
Fixas um ponto, não gostas do que vês, esbracejas, queres gritar, mas estás muda, e agora?
Enches o peito de ar, bates com o pé, imaginas a voz que não quer sair, concretizas o desejo, e é aí que gritas...de pulmão cheio e de garganta aberta, largam-te e é aí que te apercebes que estás a perder os sentidos...
Acordas sozinha, deitada na mesma cama em que te encontravas a escrever este mesmo texto...
Coragem...era isso que te faltava...

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