Os seres Humanos são como as estações, existe sempre um tempo natural de viragem que os obriga a adaptarem-se ao compasso ritmado que a rotação sobre o eixo da vida vai marcando.
Se te pudesses desmaterializar onde gostarias de estar?
 Sorriste, eu sei, pensaste no mesmo que eu e escusas de o negar. Qualquer lugar é melhor do que "aqui, até porque o "aqui" é estranhamente familiar e já não te vai surpreender da mesma forma que Te preencheu quando cá chegaste.
Apercebi-me que isto já não me chega, basta desta amarração, deste querer ficar com vontade de ir porque tenho medo de falhar, de escorregar ou simplesmente de me melindrar. 
Já chega de incertezas que devoram a bom proveito o miolo que demorei a levedar enquanto me protegia das ameaças exteriores.
Consegues ouvir? É o fervilhar vital que me corre pelo corpo, bombeado a alta velocidade que estremece a cada passo que penso dar fora da linha, mas eu tenho de os dar caso contrário nunca vou recuperar a necessidade de me reconstruir, destruindo as partes de mim que me impedem de lutar e receber mais do que esta terra seca me oferece.
Apetece-me, nem sei, metamorfosear-me enquanto vejo passar à minha frente toda a parafernália de estupidez que me enche a alma e me faz ser eu, porque eu, sem estupidez não era Eu e sem genuinidade também não o seria, vivo por mim, pela transformação que me proponho a fazer e pela mudança de estação porque é nessa mudança que eu me transformo. Eu sou feita de momentos e é nesses momentos que me refaço, na escrita das palavras quando não me emudeço e na veracidade da voz que carrego comigo, dentro do peito, forte, segura, pequena mas destemida.
É hora de voar e permitir o arrasto ventoso dos pedaços que vão cobrindo o chão à minha passagem e agora? Vens comigo ou vais querer ficar?

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