São estas palavras que Te vão desapegar de Ti e de uma pele que não é Tua.
Os sentimentos tendem a tornar-se mais do que palavras, ainda que a maioria das pessoas se tenha cansado de os encarar.
Devias lembrar-Te, dos momentos e não das frustrações; devias preocupar-Te com ela e não com a visibilidade que a vossa relação podia vir a ter; devias estar presente nas tuas ausências e nas ausências dela devias tornar-Te a sombra que não persegue, mas constantemente acompanha, até ao fim, lado a lado, ocupando o lugar que mais ninguém pensa ou sequer sonha ocupar.
Porquê?
Porque é mais fácil pensares que és um Nada do que perderes a oportunidade de seres um Tudo.
Ainda assim duvidas, repreendes-te por teres aguentado este tempo, preso, fechado num Mundo do qual não te sentes pertencer. Vês-te por entre os espaços deixados pelas pessoas que Te pisam sem Te sentir porque no fundo não passas de um espectro, a triste réstia de fôlego de quem já foi gente.
Desumanizaste-te no dia em que a deixaste partir. Ela não olhou para trás e isso doeu, doeu tanto que acabaste por reescrever na Tua carne todas as regras que quebraste ao deixá-la entrar.
Não Te arrependes, mas querias sentir o arrependimento, talvez assim conseguisses esquecê-la, odiá-la pela partida que Tu mesmo geraste.
Quantas cicatrizes vão ficar marcadas na Tua alma depois de atravessares o labirinto da pena e só Te restar a ressaca de um corpo que sempre ansiou o toque do outro?
Quantas mais noites vais passar acordado a descrever no Teu corpo cada traço que ela desenhou com o seu?
Sentes essa impotência que teima em rasgar o Teu orgulho, queres gritar...mas já ninguém quer saber da Tua amargura porque decidiste suportá-la sozinho, enganando-te a Ti mesmo porque não és capaz de admitir que estás mais fraco, falta-Te o suporte, a rede de segurança que Te salva da eterna corda bamba em que Te deslocas.
Ela podia parecer nada, no fundo sempre Te lembrou da tua força e, por essa razão, sempre achaste que Te erguias sozinho, e agora? Ela era quase Tudo, ou pelo menos mais de metade, a realidade bate-Te na cabeça como pedra, está a amolgar-Te a cada relembrar e já não sabes mais o que fazer para calar a vozinha que ecoa no Teu coração.
Estás quase vazio e a melhor parte sabes qual é? Foste Tu que o quiseste, não é fabuloso?
Vive enquanto consegues respirar, mas não tentes esquecer o que ficou marcado a ferro e fogo na tua alma porque se o fizeres não será só a pele que se irá despegar do Teu corpo...E se este despegar é doloroso imagina o que irá doer desfazeres-Te de ti mesmo.



2 comentários:

  1. Adorei os teus textos :)
    também escrevo, se quiseres segue-me :)
    http://dontcreatelimitations.blogspot.pt/

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    1. Olá :D Antes de mais bem vinda ao novelito :)

      Ficou muito contente que tenhas gostado ;)

      E sim vou seguir também o teu blogue, gosto sempre de estar em contacto com pessoas novas e com as suas criações :)

      Beijinho*

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