Não gosto de meias medidas e também não sou de conversas de copo meio cheio sobre a mesa. 
Tenho uma capacidade infinita (perdoem-me a falta de modéstia) de me transformar naquilo que espero que consiga agradar-me até me sentir completa, mas toda a gente sabe que quanto mais nos modificamos mais nos distanciamos do que realmente somos porque no fundo sempre soubemos que as rachadelas estão lá e vão continuar a rasgar a nossa pele de papel por mais que retoquemos a fachada.
Podia falar de nudez, de superficialidade carnal, mas não me apetece, até porque não gosto de falar do que reveste os meus ossos, no entanto até gosto de mostrar as cicatrizes, se sobrevivi quem me garante que isso não faça do meu corpo tela a pintar? Ei ei, não estou a dizer que sou sado nem nada do género (nada contra quem é, até os admiro, sentir prazer com a dor, nem toda a gente se pode gabar disso), no entanto, gosto de saber que estas marcas que aparecem na minha capa horrenda se tornam parte da história que mais tarde terei para contar.
Não gosto de meias medidas e também não sou de conversas de copo meio cheio sobre a mesa.
 Sabem aquelas pessoas que vos irritam? Essas! Essas mesmo! Aqueles seres que abominam e vos apetece amarrotar porque simplesmente existem são nada mais nada menos que pessoas mal resolvidas, vivem para não deixar viver porque não sabem como viver. Eu tenho pena, pena de não ser capaz de viver sem deixar de viver, seria tudo tão mais fácil...mas porquê escolher o caminho mais fácil quando são os obstáculos que nos fazem sentir aliciados a manter a teimosia de sobreviver? Pois bem...venham aqueles com problemas por resolver que eu até ofereço o meu copo para amainar a dor de cotovelo e até posso pensar no caso de lhe dar o tratamento para a falta de que fazer (sim, mando-os fazer o meu trabalho, agora riam-se).
Não gosto de meias medidas e também não sou de conversas de copo meio cheio sobre a mesa.
Sabem que mais? Nem bebo, mas um copo cheio pode ser de água certo? Não me levem a mal a abstinência ao alcool, mas se já sou chata assim sóbria imaginem o que esta cabeça podia magicar se tivesse o empurrãozinho certo...E lá estou eu a dizer barbaridades, estão a ver?
Acho que perdi o medo de calcar os estilhaços de vidro, afinal quem partiu o copo fui eu né? Maldita desastrada!

 

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