Estou de volta, pensei e repensei até que encontrei a triste conclusão de que preciso disto, não de alguém para ler, mas de algo para escrever.
O relógio marca o tempo, o calendário o dia e a vida o momento, é chegado o drástico renascer daquilo que até então deixei fluir das pontas do dedos para o vazio, está na hora, de remexer e reescrever a minha vida.
São fases, dizem uns, não faz sentido, dizem outros, às vezes ainda me pergunto como dou ouvidos a velhos do Restelo, já sou pessimista que chegue, não preciso de âncoras que me afundem mais, estou cansada, cansada de me desfazer porque não me conseguem aceitar pelo que sou, pelo que gosto, pelo que me corre nas veias. Sou uma louca previamente e cuidadosamente adormecida na ânsia de sentir alguma coisa, estou cheia de me sentir, assim, vazia, desprovida de algum prazer que as palavras tão bem me sabem sentir.
A vida é demasiado curta para a perdermos com baixarias, com afastamentos e com a estupidez alheia, é que hoje somos imparáveis, amanhã, somos uma poeira que entra e arranha os olhos dos outros ou se entranha nas suas narinas com o propósito de transformar e tornar-los mais parecidos connosco, é um erro, um grande erro, pensamos que somos impenetráveis até o dia que nos desfazem e no final só resta isso, um punhado de pó que mancha até que é lavado pelas águas da mudança.


Sem comentários:

Enviar um comentário